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O Combate ao Corona Vírus Através das Lampadas UV

Quando a luz branca do Sol passa por um vidro, pela água da piscina ou até pelo plástico da caneta, é comum que observemos a separação dela nas diferentes cores do arco-íris. Essas cores formam o que chamamos de região visível do espectro eletromagnético, que é o conjunto de todas as radiações formadas por ondas constituídas de campos elétricos e magnéticos oscilantes, que se propagam pelo espaço. Existem outros nomes famosos do nosso dia a dia que, na realidade, também são ondas que fazem parte desse conjunto: ondas de rádio e TV, micro-ondas, infravermelho, ultravioleta, raios-X e raios gama.

Uma maneira de caracterizar as ondas é por meio do que chamamos de comprimento de onda. Pense na superfície da água de uma piscina: quando alguém pula na piscina, forma ondas que se propagam para todas as direções. A distância entre dois picos sucessivos das ondulações é o tal do comprimento de onda. No caso exemplificado da piscina, talvez esse comprimento entre dois picos seja da ordem de uma dezena de centímetros.

As ondas eletromagnéticas, embora não sejam da mesma natureza que as ondas na água, também possuem comprimento de onda associado. Quando nos referimos à luz visível, o comprimento de onda é muito menor do que a escala dos centímetros: a luz vermelha tem o maior comprimento de onda da região, cerca de 700 nanômetros, enquanto a luz violeta tem o menor comprimento de onda capaz de sensibilizar os nossos olhos, da ordem de 400 nanômetros. Um nanômetro (ou “1 nm”) corresponde a um comprimento de um milímetro dividido em um milhão de partes iguais.

Outra ideia inicial que precisamos compreender é que as radiações eletromagnéticas transportam uma quantidade de energia mínima, em proporção inversa a seu comprimento de onda. Dizemos, então, que quanto menor for o comprimento de onda, mais energética será a radiação. E, portanto, mais cuidado precisamos ter com ela.

A radiação ultravioleta (UV) corresponde à parte do espectro eletromagnético com comprimentos de onda menores do que o da luz violeta, ou seja, uma faixa imediatamente mais energética do que a luz visível.

Devido à quantidade de energia transportada nas ondas UV, elas marcam o início do que chamamos de “região ionizante” do espectro eletromagnético, Em outras palavras, isso indica que as ondas de comprimento de onda iguais ou menores que os de UV (como raios-X e raios gama) já têm condições de formar íons, o que significa ter condições de causar danos, por exemplo, às moléculas de DNA das nossas células, o que está ligado ao surgimento de doenças como o câncer. Portanto, é fundamental que a exposição às radiações ionizantes seja feita de maneira cuidadosa e planejada.

Dependendo do comprimento de onda da radiação ultravioleta, ela ainda pode ser subdividida em categorias. Um congresso em 1932 padronizou essas categorias da seguinte maneira: ultravioleta A (UVA) com comprimentos de onda entre 400 nm e 315 nm; ultravioleta B (UVB), entre 315 nm e 280 nm; e ultravioleta C (UVC), entre 280 nm e 100 nm. Abaixo dos 100 nm, entra-se na região dos raios-X.

 

Efeitos biológicos da radiação UV

Como vimos, a radiação ultravioleta é ionizante e, por isso, tem potencial para causar efeitos danosos aos seres vivos. Agora, existe uma diferença entre perigo e risco, como também já foi discutido na Revista Questão de Ciência. A exposição à radiação UV é um perigo, mas o risco que a exposição oferece depende de vários fatores: a faixa energética de UV (A, B ou C), a intensidade da luz e o tempo que se permanece exposto.

É com base no equacionamento desses parâmetros que sabemos que participar de uma festa com luz negra (que emite parte da sua energia na forma de UVA, invisível aos nossos olhos) não gera risco significativo. Da mesma forma, é necessário que sejamos expostos à luz ultravioleta do Sol, pois isso contribui com o processo de produção de vitamina D. Mas a exposição demasiada e sem proteção leva a um risco alto de ocorrência de queimaduras severas e aumento de incidência de câncer de pele.

Quando a radiação UV interage com uma entidade biológica, seja uma bactéria, uma célula da nossa pele ou até um vírus, por ser ionizante, ela tem condições de causar danos ao material genético. Dependendo dos fatores de exposição que comentamos, esse processo pode matar a célula, a bactéria ou desativar um vírus. A faixa mais eficiente para isso é também a mais energética, a UVC. Tanto é que essa região é conhecida por “ultravioleta germicida”. É curioso comentar que já sabemos disso há tempos, e essa região do espectro eletromagnético já vem sendo usada como método de higienização e descontaminação, tanto em laboratórios como auxílio na desinfecção de salas cirúrgicas, água, alimentos e cosméticos.

Então, em suma, o que estamos vendo com a pandemia de COVID-19 é a utilização desse poder germicida da radiação ultravioleta para desativação do novo coronavírus que esteja à espreita em superfícies e objetos ao nosso redor.

Bom, se o Sol envia todas as faixas de UV para cá, não bastaria que expuséssemos roupas, calçados, objetos e até nossas mãos ao Sol para que o novo coronavírus seja desativado? Em tese, a luz solar contém os comprimentos de onda UV, então ela teria “os ingredientes” adequados para combater o vírus. Porém, é importante salientar que nossa atmosfera interage e atenua as ondas UV. Com isso, elimina totalmente a incidência de UVC na superfície da Terra (para a nossa sorte, pois também sofreríamos danos biológicos se assim não fosse!) e ainda reduz drasticamente a intensidade de UVB. Do total de ultravioleta solar que nos atinge aqui na superfície do planeta, mais de 95% corresponde à faixa UVA, a menos danosa e menos energética.

Fonte: Revista Questão de Ciência

 

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